21 "Ninguém prega retalho de pano novo em roupa velha; do contrário, o remendo arranca novo pedaço da veste usada e torna-se pior o rasgão. 22 E ninguém põe vinho novo em odres velhos; se o fizer, o vinho os arrebentará e perder-se-á juntamente com os odres; mas para vinho novo, odres novos."*
21-22 (Marcos)
21-22 (Marcos)
CAPÍTULO VI
A VIDA
No terreno da vida
prática, sempre descobrimos contrastes que assombram. Pessoas endinheiradas,
possuidoras de magníficas residências e muitas amizades, às vezes sofrem
espantosamente; enquanto humildes operários de pá e picareta, ou pessoas de
classe média, vivem às vezes em completa felicidade. Muitos arquimilionários
sofrem de impotência sexual, enquanto ricas senhoras choram amargamente a
infidelidade do marido.
Os ricos da Terra
parecem abutres dentro de gaiolas de ouro, e atualmente não podem viver sem
“guarda-costas”. Os homens de Estado arrastam correntes, nunca estão livres e
andam por todos os lados rodeados de homens armados até os dentes.
Estudemos esta
situação mais detidamente. Necessitamos saber o que é a vida. Cada um é livre para
opinar como queira. Digam o que digam, certamente, ninguém sabe nada; a vida é
um problema que ninguém entende. Quando as pessoas desejam contar-nos
gratuitamente a história de sua vida, citam acontecimentos, nomes e sobrenomes,
datas etc., e sentem satisfação ao fazer seus relatos.
Essas pobres
pessoas ignoram que seus relatos estão incompletos, porque eventos, nomes e
datas são, apenas, o aspecto externo do filme; falta o aspecto interno. É
urgente conhecer os “estados de consciência”: a cada evento corresponde tal ou
qual estado anímico.
Os estados são
interiores e os eventos são exteriores, os acontecimentos externos não são
tudo. Entende-se por estados interiores as boas ou más disposições , as
preocupações, a depressão, a superstição, o temor, a suspeita, a misericórdia,
a auto-consideração, a superestimação do “Mim mesmo”, estados de felicidade,
estados de gozo etc.
Indubitavelmente,
os estados interiores podem corresponder-se exatamente com os acontecimentos
exteriores, serem originados por estes, ou não ter relação alguma com os
mesmos. De qualquer modo, estados e eventos são diferentes. Nem sempre os
eventos se correspondem exatamente com estados afins. O estado interior de um
evento agradável poderia não se corresponder com este. O estado interior de um
evento desagradável também poderia não se corresponder com tal evento.
Acontecimentos
aguardados durante muito tempo, quando chegam, é como se faltasse algo...
Certamente, falta
o correspondente estado interior que deve combinar-se com acontecimento
exterior...
Muitas vezes, o
acontecimento que não se espera, vem a ser aquele que proporcionará os melhores
momentos...

