
Razões para ler
Sun Tzu
Um episódio especialmente significativo foi registrado
durante a visita oficial do presidente chinês Hu Jintao aos EUA, quando
entregou ao então presidente americano George W. Bush, em 19 de abril de 2006,
um exemplar do livro A Arte da Guerra, de Sun Tzu. O
gesto de cortesia pode ser interpretado de diversas maneiras – considerando-se
as ambigüidades que caracterizam a diplomacia e as relações internacionais -,
mas inegavelmente tem uma profunda significação política, em que sobressaem
doses ponderadas de sutileza e astúcia.
A rigor, os 13
capítulos que compõem A Arte da Guerra constituem-se nos
mais antigos fundamentos da estratégia militar. Com frases simples e objetivas,
tornou-se uma obra eminentemente prática, adotada pelas forças armadas de
inúmeros países, influenciando o estilo de vários comandantes, como Napoleão
Bonaparte, Joseph Stalin, Mao Tsé-tung, Nguyen Giap, Douglas MacArthur e
outros. O bem da verdade, conforme analistas mais objetivos, Sun Tzu não foi um
vencedor. O Estado de Wu, seu reino, acabou destruído e não restou um único
soldado vivo – veja a Cronologia abaixo -, depois de intensas guerras,
especialmente contra o Estado de Yueh.
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Sun Tzu
a.C.
514 – Ascensão de Ho Lu.
512 – Ho Lu ataca Chù mas é dissuadido de
entrar em Ying, a capital. Shi Chi menciona Sun Wu como general.
511 – Outro ataque a Chù.
510 – Wu faz um ataque bem sucedido a Yueh.
Essa foi a primeira guerra entre os dois estados.
509 ou 508 – Chù invade Wu, mas é derrotado em Yu-chang.
506 – Ho Lu ataca Chù com a ajuda de Tàng e
Tsái. Batalha decisiva de Pó-Chu, e tomada de Ying. Última menção de Sun Wu em
Shih Chi.
505 – Yueh faz um ataque repentino a Wu na
ausência de seu exército. Wu é derrotado por Chìn e evacua Ying.
504 – Ho Lu ordena que Fu Chài ataque Chù.
497 – Kou Chien se torna Rei de Yueh.
494 – Fu Chài derrota Kou Chien na grande
batalha de Fu-chaio, e entra na capital de Yueh.
485 ou 484 – Kou Chien presta homenagem a Wu. Morte de Wu Tzu-hsu.
482 – Kou Chien invade Wu na ausência de Fu
Chài.
475 – Kou Chien sitia a capital de Wu.
476 – Derrota final e extinção de Wu.
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V.
Energia Combinada
Uma
confusão simulada requer uma
disciplina
perfeita; medo simulado
requer
coragem; fraqueza simulada
demanda
força.
A Arte da Guerra
Diz Sun Tzu:
O comando de um grande exército
obedece ao mesmo princípio do controle de um grupamento de soldados: é
meramente uma questão de organizar a divisão em grupos.
1. Lutar com um grande exército sob seu comando não é de forma alguma
diferente de lutar com um grupamento reduzido: é meramente uma questão de
estabelecer disposições e instituir sinais.
2. O que assegura que os soldados possam resistir à força do ataque inimigo
e permanecer inabalável é o conjunto de manobras com forças Zhéng – diretas, isto é, normais – e
manobras com forças Qí – indiretas,
ou seja, extraordinárias -; desse modo, as forças normais podem ser usadas na
batalha, mas são as forças extraordinárias que asseguram a vitória.
3. O impacto de um forte exército contra outro pode ser comparado com um
grande cilindro de pedra sendo arremessado contra um ovo – esse é o efeito dos
pontos fortes nos fracos.
4. Táticas com manobras extraordinárias, eficientemente aplicadas, são tão
inesgotáveis quanto o Tempo e o Espaço, tão infindáveis quanto o fluxo dos rios
e dos córregos; como o Sol e a Lua, elas acabam por começar de novo; como as
quatro estações, elas terminam para retornar uma vez mais.
5. Não há mais que cinco notas musicais, entretanto as combinações das cinco
dão origem a mais melodias do que as que poderão jamais ser ouvidas.
6. Não há mais que cinco cores primárias (azul, amarela, vermelha, branca e
preta), entretanto combinadas elas produzem mais matizes do que os que poderão
jamais ser vistos.
7. Não há mais que cinco paladares fundamentais (azedo, picante, salgado,
doce, amargo), entretanto suas combinações produzem mais sabores do que os que
jamais poderão ser experimentados.
8. Na batalha, não há mais que dois métodos de ataque – o normal e o
extraordinário, entretanto estes dois combinados dão origem a séries
infindáveis de manobras.
9. Os métodos Zhèn e Qí
influenciam seguidamente um ao outro. É como se movimentar em círculo – você
nunca chega ao fim. Como é possível esgotar as possibilidades de suas
combinações?
10. O ataque das tropas é como a
precipitação de uma torrente que carregará até mesmo as pedras em seu curso.
11. A qualidade da decisão é como o
mergulho veloz e certeiro de um falcão, que o capacita a atingir e capturar sua
vítima.
12. Assim, o guerreiro genuíno será
eficiente no ataque e rápido em suas decisões.
13. A energia pode ser comparada ao
retesar de uma besta; a decisão ao disparo do gatilho.
14. Em meio ao tumulto e à agitação da
batalha, pode haver uma desordem aparente e, entretanto, não haver desordem
alguma; em meio à confusão e ao caos, seu esquadrão pode não estar entendendo
nada, porém estará imune à derrota.
15. Uma confusão simulada requer uma
disciplina perfeita; medo simulado requer coragem; fraqueza simulada demanda
força.
16. Esconder a ordem sob o disfarce da
desordem é simplesmente uma questão de subdivisão; ocultar a coragem sob a
demonstração de temor pressupõe uma reserva de energia latente; mascarar a
força com a fraqueza é ter um objetivo e usar disposições táticas.
17. Assim sendo, aquele que for
habilidoso em manter o inimigo a caminho mantém as aparências enganosas e o
inimigo agirá de acordo com elas. Ele sacrifica algo que o inimigo pode
procurar arrebatar.
18. Ao mostrar suas iscas, ele mantém
o inimigo em marcha; então, com um grupo de homens escolhidos, ele fica à
espera.
19. O combatente talentoso olha para o
efeito da energia combinada e não requer demais dos indivíduos.
Consequentemente, ele tem a habilidade de escolher os homens certos e utilizar
a energia combinada.
20. Quando ele usa a energia
combinada, seus guerreiros se tornam como toras ou pedras que rolam. Pois é da
natureza da tora ou da pedra permanecer imóvel, no nível do chão e se mover
quando há um declive; se sua forma for quadrada, permanece parada, mas se for
cilíndrica ou esférica, rola.
21. Assim sendo, a energia
desenvolvida por guerreiros genuínos é como a força viva de uma pedra redonda
descendo uma montanha altíssima.

